Que a Geração Z está redefinindo o mercado de trabalho, não é segredo
Segundo dados da Deloitte, 49% dos profissionais da Geração Z abandonariam seus empregos em até dois anos caso os valores da empresa ou o equilíbrio entre vida pessoal e profissional não estivessem alinhados com suas expectativas
Assim, surge o conceito de lazy job.
Neste artigo, você vai entender o que é essa tendência e como sua empresa pode aproveitá-la para atrair e reter talentos.
Boa leitura!
O que é lazy job?
Em primeiro lugar, vamos entender o que é lazy job.
Em tradução livre, o termo significaria trabalho preguiçoso.
No entanto, apesar do nome, lazy job não tem nada a ver com ser um colaborador improdutivo.
O termo descreve, na verdade, um trabalho estrategicamente escolhido por oferecer um bom salário, segurança e, acima de tudo, equilíbrio entre vida pessoal e profissional: aspectos que a Geração Z valoriza muito.
Para esse grupo de profissionais, que ingressou no mercado de trabalho em meio a incertezas econômicas e uma pandemia, um lazy job é a expressão máxima de trabalhar para viver, e não viver para trabalhar.
Em resumo, o foco muda do crescimento corporativo a qualquer custo para a construção de uma carreira sustentável que promova a qualidade de vida no trabalho e fora dele.
A origem do termo lazy job
Como muitas tendências da Geração Z, o conceito de lazy job explodiu nas redes sociais, especialmente no TikTok.
O termo ganhou fama com a influenciadora Gabrielle Judge, que começou a postar vídeos descrevendo o que ela chamava de “lazy girl job”.
Em seus vídeos, Judge descrevia esses empregos como seguros, geralmente remotos, com salários confortáveis e que permitiam que a pessoa tivesse tempo e energia para seus hobbies e vida pessoal após o expediente.
A mensagem ressoou com milhões de jovens que se sentiam esgotados pela pressão de serem super produtivos e pela glorificação da cultura da correria, tão pregada para a geração anterior, os Millennials.
A popularidade do termo mostrou que não se tratava de um desejo isolado, mas de um sentimento coletivo de uma geração que está reescrevendo as regras do mundo corporativo.
Por que a tendência lazy job está em alta?
O crescimento do movimento lazy job não é um acaso.
Ele é o resultado de uma confluência de fatores sociais, econômicos e tecnológicos que moldaram a visão da Geração Z sobre o trabalho.
Primeiramente, a pandemia de COVID-19 foi um fator fundamental.
A transição forçada para o trabalho remoto provou a milhões de pessoas que a flexibilidade no trabalho é não apenas possível, mas muitas vezes mais produtiva.
Essa experiência em massa fez com que muitos questionassem a necessidade de longos deslocamentos e da rigidez do horário comercial tradicional.
Além disso, a Geração Z testemunhou os efeitos do burnout em seus pais e irmãos mais velhos.
Eles viram de perto o sacrifício da saúde mental e do tempo em família em nome de uma promessa de sucesso que nem sempre se concretizava.
Como resultado, seus valores são diferentes: a saúde mental e o equilíbrio vida-trabalho não são benefícios desejáveis, mas pré-requisitos essenciais para aceitar uma vaga.
O impacto da tecnologia no trabalho também desempenha um papel crucial.
Ferramentas de automação e comunicação digital tornaram muitas tarefas mais eficientes, questionando a antiga métrica de produtividade baseada em horas trabalhadas. Para os jovens no mercado, o que importa é a entrega de resultados, não o tempo gasto na cadeira do escritório.
Essa mentalidade abre as portas para uma organização de trabalho mais inteligente e flexível, sendo a base do lazy job.
Características dos lazy jobs
Mas o que, na prática, define um lazy job?
Embora não exista uma definição única, esses empregos geralmente compartilham um conjunto de características que os tornam atraentes para quem busca um estilo de vida profissional mais equilibrado, como:
Flexibilidade de horários
A flexibilidade de horários é, talvez, a característica mais marcante de um lazy job.
Trata-se da autonomia para gerenciar o próprio tempo, com a premissa de que a produtividade no trabalho não está ligada a um horário fixo das 9h às 18h.
Para as empresas, essa confiança depositada no funcionário muitas vezes se traduz em maior engajamento, satisfação e maior produtividade.
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional
Outro fator essencial é o equilíbrio entre vida-trabalho.
Em outras palavras, isso significa ter um trabalho com limites claros. Ou seja, o expediente acaba e o computador é desligado, sem a expectativa de responder a e-mails ou mensagens fora do horário. As férias são para descansar de verdade, e não para continuar trabalhando à distância.
Esse equilíbrio permite que os profissionais invistam em outras áreas de suas vidas: hobbies, relacionamentos, saúde, estudos e projetos pessoais.
Essa abordagem holística da vida é um dos principais valores da Geração Z.
Impactos do lazy job no mercado de trabalho
A ascensão da tendência lazy job está provocando uma mudança significativa no mercado de trabalho. Por isso, as empresas que ignorarem esse movimento podem ficar para trás na busca por atrair e talentos.
Para as organizações, o desafio é repensar a cultura organizacional.
Modelos de gestão baseados em controle e presenteísmo estão perdendo espaço para culturas de confiança, autonomia e foco em resultados. Ou seja, a produtividade deixa de ser medida por horas de trabalho e passa a ser avaliada pela qualidade e eficiência das entregas.
Essa mudança impacta não apenas as empresas, mas também a carreira dos colaboradores.
A trajetória linear de subir na hierarquia corporativa a qualquer custo está sendo substituída por um modelo mais fluido, onde o sucesso é medido pela qualidade de vida e pela satisfação pessoal, e não apenas pelo cargo ou salário.
Assim, está ocorrendo uma reavaliação sobre o que significa ter uma carreira bem-sucedida.
As novas gerações estão usando seu poder de escolha para moldar os empregos do futuro, priorizando empresas que entendem que o bem-estar dos funcionários não é um luxo, mas um investimento estratégico para a sustentabilidade do negócio.
Como as empresas podem se adaptar ao lazy job?
Para as equipes de gestão de pessoas e RH, entender e se adaptar à mentalidade do lazy job é crucial para atrair e reter os melhores talentos da Geração Z.
Aqui estão algumas estratégias que sua empresa pode adotar:
Oferecer flexibilidade genuína
Implemente políticas claras de trabalho remoto, trabalho híbrido e horários flexíveis.
Confie nos seus colaboradores para gerenciar seu tempo e entregar resultados, independentemente de onde ou quando trabalham.
Definir escopos claros
Crie descrições de cargo precisas e com responsabilidades bem definidas.
Além disso, evite desvios ou acúmulos de função, que é uma das principais causas de transtornos de saúde mental no ambiente de trabalho.
Focar em resultados
Mude as métricas de avaliação de desempenho.
Em vez de olhar apenas para as horas trabalhadas, reconheça a eficiência, a qualidade da entrega e o cumprimento de metas.
Promover o bem-estar
Incentive ativamente os funcionários a se desconectarem após o expediente.
Crie políticas que desencorajem o envio de e-mails e mensagens fora do horário de trabalho e respeite integralmente os períodos de férias, por exemplo.
Reavaliar a cultura organizacional
Construa uma cultura baseada na confiança e na transparência.
Ou seja, comunique abertamente os valores da empresa em relação ao equilíbrio vida-trabalho e mostre, com ações, que isso é uma prioridade.
Ao adotar essas práticas, as empresas estarão não apenas se adaptando a uma tendência, mas também construindo uma organização mais resiliente, produtiva e atraente para as novas gerações, garantindo seu lugar no trabalho do futuro.
Agora que você já conheceu a tendência lazy job, continue acompanhando o blog da Plantar Educação para mais conteúdos como esse!


