Setembro Amarelo: o papel da empresa na promoção da saúde mental dos colaboradores

Setembro-Amarelo

A saúde mental é um dos alicerces fundamentais para o sucesso de uma organização, e o Setembro Amarelo se destaca como uma oportunidade crucial para reforçar a importância do cuidado psicológico e eliminar o tabu em torno desse tema dentro das empresas.

Ao promover ações que priorizem o bem-estar emocional dos colaboradores, as empresas não apenas cumprem seu papel de responsabilidade social, mas também integram valores como empatia e cuidado em suas práticas diárias.

Essa postura fortalece um ambiente de trabalho mais saudável e acolhedor, onde os colaboradores se sentem seguros para pedir apoio quando necessário.

Quer saber como seu RH pode se engajar de forma efetiva no Setembro Amarelo? Continue a leitura!

O que é o Setembro Amarelo? 

O Setembro Amarelo é uma campanha global dedicada à prevenção do suicídio, com ênfase especial nas iniciativas de saúde mental no ambiente de trabalho. O ponto alto das atividades ocorre no dia 10 de setembro, reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Durante este mês, instituições, associações, profissionais de saúde, empresas, escolas e órgãos governamentais que apoiam a campanha realizam diversas ações e debates sobre o tema, de forma semelhante a outras campanhas relevantes no calendário de Recursos Humanos.

A origem do Setembro Amarelo remonta a 1994, nos Estados Unidos, quando foi realizada em homenagem a Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou sua própria vida em 8 de setembro daquele ano. No Brasil, a campanha foi oficialmente adotada em 2015, liderada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV),pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

No entanto, é importante ressaltar que as ações de promoção da saúde mental devem ir além de um único mês, sendo parte de um esforço contínuo para construir uma cultura organizacional positiva e cumprir a responsabilidade social das empresas ao longo do ano.

E essa missão ganha ainda mais relevância nos países das Américas, onde o cenário é alarmante. Enquanto as taxas de suicídio vêm diminuindo globalmente, nesta região, o número de casos aumentou 17% entre 2000 e 2019, destacando a necessidade urgente de ações mais eficazes.

Por que debater sobre o Setembro Amarelo nas empresas?

Nos últimos anos, a saúde mental tem ganhado crescente reconhecimento como um componente essencial do bem-estar integral. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 1 bilhão de pessoas convivem com algum transtorno mental, e esse número continua a aumentar.

Iniciativas como o Setembro Amarelo são fundamentais para destacar a importância da saúde mental, criando espaços seguros para o diálogo e ajudando a reduzir os estigmas que cercam o tema. Esse esforço coletivo é crucial para enfrentar algumas das estatísticas alarmantes da OMS sobre suicídio, como, por exemplo:

  • Mais de 700 mil suicídios são registrados anualmente em todo o mundo (sem contar os casos subnotificados);
  • No Brasil, uma média de 38 pessoas comete suicídio por dia, totalizando aproximadamente 14 mil casos por ano;
  • O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil;
  • Globalmente, o suicídio causa mais mortes anualmente do que HIV, malária, câncer de mama, além de guerras e homicídios.

Apesar dos números alarmantes, o Setembro Amarelo ainda é subaproveitado nas empresas, com muitas iniciativas limitadas ou superficiais. Embora algumas organizações já tenham implementado políticas de bem-estar mental, é evidente que ainda há muito a ser feito para tornar o cuidado com a saúde mental uma prioridade contínua.

Em ambientes corporativos caracterizados por alta pressão, prazos apertados e expectativas elevadas, a saúde mental dos colaboradores pode ser gravemente impactada. Esses fatores de estresse aumentam o risco de burnout, ansiedade e outros transtornos, comprometendo tanto o bem-estar dos funcionários quanto sua produtividade.

Investir no cuidado da saúde mental dos trabalhadores é uma ação estratégica que não apenas melhora a qualidade de vida, mas também reflete positivamente nos resultados da empresa! 

Promover uma cultura de apoio à saúde mental deve ser uma prioridade, especialmente durante campanhas como o Setembro Amarelo, mas também ao longo de todo o ano. Combinado?

Como identificar fatores de risco nos colaboradores?

Identificar precocemente os fatores de risco para o suicídio é uma ação que pode salvar vidas, e esse conhecimento deve ser disseminado entre todos os colaboradores. 

Embora todos possam desempenhar um papel fundamental nessa identificação, a responsabilidade recai principalmente sobre os profissionais de gestão de pessoas, como o RH e as lideranças. 

Confira abaixo alguns dos fatores de risco e como identificar:

Histórico de saúde mental 

Pessoas com transtornos de saúde mental estão entre as mais vulneráveis. Um dos fatores mais relevantes é a tentativa prévia de suicídio. 

De acordo com o informativo Fatores de Risco e Sinais de Alerta da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM),uma pessoa que já tentou suicídio tem de 5 a 6 vezes mais chance de tentar novamente. Conhecer o histórico psicoemocional dos colaboradores pode ser crucial para a prevenção.

Presença de “sinais” 

Muitas vezes, antes de uma tentativa de suicídio, a pessoa expressa pensamentos ou falas que revelam sofrimento extremo, como desespero, desesperança ou desamparo. 

Frases como “eu queria não ter nascido”, “eu preferia estar morto/a” ou “caso não nos vejamos de novo…” são sinais que merecem atenção imediata. 

Além disso, comportamentos como despedidas incomuns, acúmulo de remédios, doação de pertences importantes ou a elaboração repentina de um testamento são outros indicadores que não devem ser ignorados.

Variações de humor 

Mudanças significativas e inesperadas de humor podem ser um sinal de alerta para transtornos mentais, como a depressão. Qualquer sofrimento psíquico visível deve ser abordado com cuidado. 

Muitas vezes, as pessoas têm dificuldade em reconhecer ou pedir ajuda para questões de saúde mental. Portanto, líderes e colegas mais próximos devem estar atentos a essas variações, oferecendo suporte, escuta ativa e, sempre que possível, encorajando o auxílio psicológico.

Isolamento 

O isolamento social pode ser um indicativo de sofrimento emocional. Em ambientes saudáveis, mesmo pessoas mais introvertidas tendem a participar e se engajar de alguma forma. Se o ambiente de trabalho favorece a comunicação e, ainda assim, um colaborador decide se isolar, isso pode ser um sinal de alerta.

Recusa a se alimentar ou tomar remédios 

A negligência com o próprio cuidado físico, como não se alimentar adequadamente ou recusar medicamentos prescritos, pode indicar problemas de saúde mental, como a depressão. Esses sinais, quando percebidos, não devem ser ignorados por colegas e gestores.

Queda no rendimento no trabalho 

Transtornos mentais frequentemente impactam o desempenho profissional. Sinais como erros recorrentes, não cumprimento de prazos e queda na produtividade são indicativos que algo não está bem. Mais uma vez, cabe aos líderes e colegas próximos identificar essas mudanças e tomar medidas para apoiar o colaborador.

O papel do RH durante o Setembro Amarelo

O RH tem uma função estratégica e essencial no Setembro Amarelo, indo além de apenas planejar e executar ações de conscientização. Seu papel envolve também acompanhar de perto o impacto dessas iniciativas no ambiente de trabalho e no bem-estar dos colaboradores.

Desde o início da campanha, o RH deve estar atento a vários fatores. Um dos mais importantes é a observação de sinais que possam indicar que algum colaborador está em risco de suicídio. 

Muitas vezes, as pessoas não sabem como ou não têm coragem de pedir ajuda diretamente, mas podem se sentir mais inclinadas a fazê-lo durante o Setembro Amarelo, quando o tema está em evidência.

Além disso, monitorar como as ações de conscientização estão sendo recebidas pelos funcionários é fundamental. Esse acompanhamento permite que o RH faça ajustes nas estratégias ao longo do mês, garantindo que as campanhas sejam não apenas informativas, mas também efetivas e acolhedoras para o público interno. 

Dessa forma, o RH pode adaptar as atividades, se necessário, para aumentar o alcance e o impacto das ações, promovendo um ambiente onde todos se sintam confortáveis para buscar apoio quando precisarem.

Quais ações o RH pode implementar no Setembro Amarelo?

O setor de RH tem um papel fundamental na promoção da saúde mental no ambiente de trabalho, especialmente durante o Setembro Amarelo, mas também de forma contínua. 

Reunimos algumas ações que podem ser aplicadas tanto no período da campanha quanto ao longo do ano, com foco em conscientização, desenvolvimento de lideranças e programas de bem-estar.

Essas iniciativas visam manter a prevenção do suicídio como uma pauta permanente dentro da gestão de pessoas, criando um ambiente de trabalho mais acolhedor e seguro. 

1. Compartilhamento de conteúdos informativos 

O Setembro Amarelo é uma campanha focada na conscientização e prevenção do suicídio. Uma das primeiras iniciativas do RH deve ser a disseminação de informações corretas e de fácil acesso para todos os colaboradores.

Para garantir que o conteúdo seja adequado e responsável, é essencial consultar profissionais da área da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, ou usar fontes confiáveis, como o site do CVV e da Associação Brasileira de Psiquiatria, que oferecem materiais atualizados anualmente.

O RH pode diversificar os canais de comunicação, utilizando a intranet, e-mails, redes sociais corporativas e até mesmo painéis físicos, como murais e cartazes em áreas comuns e de circulação mais discreta, como banheiros e estacionamentos.

2. Distribuição de símbolos de apoio 

Uma ação simples, mas significativa, é a distribuição de laços amarelos, símbolos da campanha. O RH pode incentivar os colaboradores a usá-los durante o mês, como uma forma de promover a conscientização e iniciar conversas sobre o tema. 

Outra ideia é iluminar a fachada da empresa com luzes amarelas, chamando a atenção para a causa.

Essas pequenas ações podem ser poderosos lembretes diários, criando um ambiente mais receptivo à discussão e ao apoio mútuo.

3. Capacitação de lideranças para um ambiente saudável 

Uma das maneiras mais eficazes de promover a saúde mental no ambiente de trabalho é através do desenvolvimento de lideranças que cultivem um ambiente acolhedor e respeitoso. O RH pode implementar treinamentos focados em práticas de gestão empática, comunicação não-violenta e respeito à diversidade.

Estudos no Brasil mostram que uma porcentagem significativa de trabalhadores já pediu demissão por causa de líderes tóxicos, com condutas como abuso de poder e manipulação emocional. 

Para evitar esses problemas, é crucial investir no preparo de gestores que incentivam um clima organizacional positivo, contribuindo diretamente para o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores.

4. Criação de um canal de ouvidoria interna

Mesmo com políticas preventivas, situações de abuso ou comportamento inadequado podem surgir. Por isso, é importante oferecer aos funcionários um canal de ouvidoria anônima, onde possam relatar problemas, fazer sugestões ou buscar ajuda sem medo de represálias.

Esse canal pode servir para mediação de conflitos, direcionamento para cuidados de saúde mental ou mesmo para abrir investigações internas, quando necessário. Ao proporcionar um espaço seguro para os colaboradores expressarem suas preocupações, a empresa demonstra um compromisso genuíno com o bem-estar emocional de todos.

Essas ações podem criar um ambiente de trabalho mais saudável e consciente, onde a saúde mental é tratada com a seriedade e o cuidado que merece, não apenas em setembro, mas durante todo o ano.

Agora que você sabe o papel do RH no Setembro Amarelo, continue acompanhando o blog da Plantar Educação para mais conteúdos como esse.

Por:
Pai, filho, educador e apaixonado por inovação! Graduado em Gestão de Tecnologia da Informação com MBA em Liderança e Gestão Empresarial. Já são mais de 20 anos com atuação em empresas ligadas ao Agronegócio nas áreas de gestão, consultoria e educação corporativa.
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