Burnout x Boreout: entenda a diferença

A síndrome de Burnout é um dos principais problemas relacionados à saúde mental no trabalho. Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt),aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a condição.  

No entanto, esse não é o único mal que tem acometido os colaboradores. No oposto do excesso de pressão e demandas que promovem o burnout, está o boreout: um estado provocado pela monotonia e falta de sentido no trabalho. 

Neste artigo, você vai entender as diferenças entre burnout e boreout, como identificar e prevenir essas síndromes. 

Boa leitura!  

O que são as síndromes de burnout e boreout? 

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que tanto a síndrome de burnout, quanto de boreout, são problemas de saúde mental relacionadas ao trabalho, que trazem consequências à qualidade de vida e ao desempenho dos colaboradores. 

O burnout é caracterizado pela exaustão emocional ocasionada pelo estresse crônico no trabalho.  

Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença ocupacional, a síndrome é causada por fatores como excesso de demandas, cobranças fora da realidade do trabalhador e condições inadequadas de trabalho. Dessa forma, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é afetado, levando ao adoecimento. 

Por outro lado, o boreout se caracteriza pela desmotivação e tédio crônicos no trabalho, ocasionados pela ausência de estímulos e desafios no ambiente profissional, situação tão prejudicial quanto a sobrecarga de demandas.  

Nesse sentido, a síndrome de boreout está diretamente relacionada a falta de propósito no que se faz e a sensação constante de inutilidade. 

Por exemplo: imagine um profissional que, mesmo cumprindo suas tarefas, sente que seu trabalho não tem impacto ou valor. Ele começa a se sentir desmotivado, evita interações e passa a procrastinar constantemente. Esse é um caso clássico de boreout.  

Já no burnout, é comum ver colaboradores que acumulam funções, respondem mensagens fora do expediente e vivem em constante estado de alerta, até atingirem um ponto de exaustão. 

Segundo o relatório State of the Global Workplace 2024, da Gallup, apenas 21% dos profissionais no mundo estão engajados em seus empregos. Esse número demonstra o desafio global de promover ambientes de trabalho mais significativos e emocionalmente saudáveis. 

Burnout x Boreout: quais as diferenças? 

Apesar de ambas impactarem a saúde mental dos colaboradores e a qualidade do trabalho desempenhado, existem diferenças significativas entre o burnout e boreout. 

Entendê-las é fundamental para prevenir, identificar e agir diante de situações de adoecimento mental.  

De modo geral, a principal diferença entre as síndromes está na causa.  

O burnout, como vimos, é resultado de excessos como acúmulo de funções, pressão e sobrecarga. Em resumo, fatores que resultam no desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal, e, por consequência, no adoecimento. 

Já o boreout acontece quando o colaborador não vê propósito nas atividades que realiza ou mesmo pela ausência de atividades. Ou seja, nesse cenário, o ambiente de trabalho é tedioso. 

Enquanto o burnout costuma afetar profissionais altamente engajados, perfeccionistas ou que ocupam cargos de liderança, o boreout é mais comum em funções repetitivas, com pouca autonomia ou reconhecimento.  

As consequências também são diferentes. O burnout pode levar ao absenteísmo, afastamentos por questões médicas e alta rotatividade.  

Já o boreout, embora menos visível, compromete a inovação, o engajamento e a retenção de talentos, pois colaboradores entediados tendem a buscar novos desafios fora da empresa. 

Ambos, no entanto, geram impactos negativos na saúde mental, produtividade e clima organizacional.  

Quais os sintomas do burnout e boreout? 

Reconhecer os sinais é essencial para identificar uma situação de adoecimento mental e agir em relação a ela o mais rápido possível. 

Entenda abaixo os principais sintomas do burnout e boreout: 

BURNOUT* BOREOUT 
  • Cansaço excessivo, físico e mental; 
  • Sentimentos de fracasso e insegurança; 
  • Negatividade constante; 
  • Sentimentos de derrota e desesperança; 
  • Sentimentos de incompetência 
  • Desmotivação; 
  • Queda de produtividade; 
  • Apatia; 
  • Desinteresse

*Fonte: Ministério da Saúde 

Em muitos casos, esses sintomas podem se manifestar de forma sutil no cotidiano profissional. Por exemplo, no caso do burnout, é comum observar colaboradores constantemente exaustos, irritados, com dificuldade de concentração e queda de produtividade, mesmo em tarefas rotineiras.  

Já no boreout, os sinais podem incluir isolamento social, procrastinação frequente, falta de iniciativa e desinteresse por atividades que antes despertavam engajamento.  

Para identificar esses sintomas, um dos principais caminhos é a escuta ativa. Nesse sentido, os gestores também tem um papel fundamental. Estar atento à mudanças de comportamento e feedbacks que revelem desmotivação sem causa aparente é essencial. 

Além disso, o RH pode atuar de forma preventiva promovendo um ambiente de trabalho saudável, com escuta ativa, feedbacks constantes, equilíbrio entre desafios e capacidades, e ações voltadas ao bem-estar emocional dos colaboradores. Falaremos mais sobre isso a seguir!  

Como o RH pode prevenir as síndromes de burnout e boreout? 

A prevenção das síndromes de burnout e boreout exige uma atuação estratégica do RH, voltada para o bem-estar e o engajamento dos colaboradores.  

Algumas ações eficazes incluem: 

Promover a escuta ativa e canais de diálogo 

Em primeiro lugar, é preciso criar espaços seguros para que os colaboradores possam expressar suas dificuldades, ideias e sentimentos sem medo de julgamento. 

Equilibrar demandas e capacidades 

Além disso, monitorar a carga de trabalho e garantir que ela esteja alinhada com as competências e limites individuais é fundamental, evitando tanto a sobrecarga quanto a subutilização. 

Estimular o propósito e o reconhecimento 

Outro aspecto importante é valorizar o trabalho realizado, reforçar o impacto das atividades e reconhecer conquistas são formas de fortalecer o senso de pertencimento. 

Investir em desenvolvimento profissional 

Da mesma forma, oferecer treinamentos, oportunidades de crescimento e novos desafios ajuda a manter o engajamento e evita a estagnação. 

Fomentar uma cultura de bem-estar 

Por fim, implementar políticas de saúde mental, flexibilização de jornada, pausas regulares e ações de qualidade de vida no trabalho é essencial para prevenir essas síndromes.

Em resumo, o papel do RH é ajudar a promover um ambiente saudável, produtivo e emocionalmente seguro. 

O que o colaborador pode fazer? 

Embora o apoio da empresa seja essencial, o colaborador também pode adotar atitudes para cuidar da sua saúde mental e evitar o desenvolvimento de síndromes como burnout e boreout. Veja algumas estratégias: 

Reconhecer os sinais 

Em primeiro lugar, é fundamental identificar mudanças no próprio comportamento, como cansaço constante, irritabilidade, desmotivação ou sensação de inutilidade. Estar atento a esses sinais permite agir antes que o quadro se agrave. 

Buscar apoio psicológico 

A partir disso, conversar com um psicólogo ou terapeuta pode ajudar a compreender melhor os sentimentos e encontrar caminhos para lidar com o sofrimento emocional. Muitas empresas oferecem apoio psicológico por meio de programas de assistência ao colaborador. 

Estabelecer limites saudáveis 

Outro aspecto importante é evitar levar trabalho para casa, respeitar horários de descanso e aprender a dizer “não” quando necessário são atitudes que ajudam a preservar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

Dialogar com a liderança ou RH 

Além disso, abrir um canal de comunicação com gestores ou profissionais de RH pode ser fundamental para ajustar demandas, propor mudanças ou buscar alternativas que tornem o trabalho mais saudável e significativo. 

Reavaliar metas e expectativas 

Também é importante refletir sobre o propósito do trabalho, os objetivos pessoais e profissionais e o que pode ser ajustado para tornar a rotina mais leve e satisfatória é uma forma de retomar o protagonismo sobre a própria carreira. 

Investir em autoconhecimento e desenvolvimento 

Por fim, participar de cursos, treinamentos ou atividades que estimulem o crescimento pessoal e profissional pode renovar o interesse pelo trabalho e abrir novas possibilidades dentro da empresa. 

Agora que você já sabe o que são as síndromes de burnout e boreout, continue acompanhando o blog da Plantar Educação para mais conteúdos como esse.  

Por:
Jornalista pela Universidade Federal de Goiás e apaixonada por ouvir e contar histórias, busca ajudar a construir o futuro do agronegócio com informações relevantes e de qualidade.
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