Você sabia que é possível beneficiar o seu colaborador com um valor que vai além do salário e dos benefícios já previstos? Nesse caso não estamos de dinheiro especificamente, mas sim de um conjunto de benefícios conhecido como salário emocional.
Atualmente, empresas e gestores têm percebido que valorizar seu time de colaboradores vai além dos salários e benefícios previstos. Por isso, o salário emocional entra como uma forma de gerar times mais engajados e satisfeitos com benefícios para além da remuneração.
Mas o que exatamente é salário emocional e como implementar essa iniciativa na empresa? Veja agora neste artigo por onde começar este conceito na sua organização.
Quer saber mais? Continue a leitura!
O que é salário emocional?
Quando falamos em salário, é comum pensar na remuneração e benefícios que são concedidos aos colaboradores dentro de uma empresa. No entanto, manter colaboradores satisfeitos vai além de um pagamento justo ao fim de um mês de trabalho.
O atual cenário nas empresas demonstrou que fatores como ambiente, saúde mental, clima organizacional, entre outros também possuem grande impacto sobre os colaboradores. Desse modo, o foco nas pessoas cresceu nas organizações e o fator humano se tornou um fator determinante da produtividade e qualidade do trabalho.
Como parte desse movimento surge a ideia de salário emocional como uma forma de atender a esse novo conjunto de necessidades das pessoas nas empresas. Em resumo, o salário emocional é um conjunto e benefícios e ações dentro das empresas que visam a qualidade de vida no trabalho e não estão diretamente ligadas ao valor monetário do salário.
Nesse caso, o valor aqui é outro: a entrega de bem estar, tranquilidade, ambiente de trabalho saudável e muitos outros benefícios entram na lista. Como resultado, as empresas constroem times muito mais motivados e saudáveis do ponto de vista físico e mental.
Empresas que oferecem boas remunerações mas que possuem ambientes e culturas que favorecem o burnout, o assédio moral e a escassez de oportunidades prejudicam tanto seus colaboradores quanto a si mesmas. Como consequência, essas empresas colhem times desfalcados e um aumento nas taxas de turnover.
Por isso, o salário emocional pode ser uma forma de transformar esse quadro nas organizações. Mas como isso funciona na prática?
O barômetro do salário emocional
No momento atual, pesquisadores da área de recursos humanos visam definir com maior clareza o que exatamente constitui o salário emocional na prática. Uma dessas pesquisadores é a mexicana Marisa Elizundia, que é especialista na área e que observa o mercado da Espanha há anos.
Marisa criou o Emotional Salary Barometer, ou Barômetro do Salário Emocional em tradução para o português. Segundo ela, existem benefícios que não podem ser medidos financeiramente, mas que influenciam o emocional e, consequentemente, o trabalho de qualquer colaborador.
Conforme sua pesquisa, existem 10 fatores chave que servem como parâmetro de medição do salário emocional, sendo eles:
- Autonomia: a liberdade no trabalho para administrar os próprios projetos e a possibilidade de autogerência.
- Pertencimento: o sentimento de se sentir conectado, valorizado e reconhecido no grupo do qual faz parte.
- Criatividade: a oportunidade de adotar formas inovadoras e diferentes de fazer as coisas no trabalho, abrindo portas para personalização do trabalho.
- Plano de Carreira: a perspectiva a médio e longo prazo acerca da própria carreira.
- Prazer: Os momentos de alegria e prazer que se obtém no ambiente de trabalho.
- Domínio da Função: o nível de satisfação com o próprio trabalho e que eventualmente pode levar a um aprimoramento na própria área de atuação.
- Inspiração: o sentimento que gera ampliação de possibilidades no ambiente de trabalho e que geram novas visões e satisfação.
- Crescimento Pessoal: quando o trabalho gera possibilidades de melhorar e se desenvolver enquanto pessoa.
- Crescimento Profissional: momentos no trabalho onde existe a possibilidade de desenvolver as suas habilidades e se desenvolver enquanto profissional.
- Propósito: o sentimento de realização do próprio propósito compartilhado com a empresa, com um significado a nível pessoal.
Porém, como implementar essa iniciativa dentro das empresas? É o que veremos a seguir.
Como implementar o salário emocional nas empresas
A implementação de iniciativas que visem ampliar o salário emocional dos seus colaboradores varia de empresa para empresa. Isso porque cada empresa possui suas próprias particularidades em seus ambientes internos.
Porém, é preciso lembrar que o foco do salário emocional é o bem estar e a satisfação dos seus colaboradores. Então, nesse caso, existem boas práticas que você pode adotar para implementar ou potencializar o salário emocional do seu time interno.
Reconheça seu time
O reconhecimento profissional é uma das melhores formas de comunicar ao seu colaborador que o seu trabalho é apreciado na empresa. Por isso, crie políticas e formas de reconhecer as pessoas que precisam ser reconhecidas na sua empresa.
Desse modo você ajuda a construir uma cultura de reconhecimento na sua empresa e cria times muito mais satisfeitos com o próprio trabalho.
Conceda liberdade e autonomia
A autonomia no trabalho cria possibilidades para que seu colaborador desenvolva autogerência e consiga desenvolver projetos no seu próprio tempo. Dar autonomia não significa colocar o colaborador em uma função sem supervisão, mas dar espaço e liberdade para que ele defina e organize suas prioridades.
Portanto, conceder autonomia vai permitir um time que entrega um trabalho com maior segurança e, consequentemente, maior qualidade.
Incentive o desenvolvimento
O desenvolvimento pessoal e profissional é um dos exemplos mais claros de salário emocional pelos resultados que ele traz. Ter possibilidades para o desenvolvimento dos colaboradores é uma iniciativa que beneficia não só o salário emocional, como também o seu employer branding.
Por exemplo, o investimento em ações de educação corporativa pode ser um divisor de águas no desenvolvimento do seu time. Desse modo você cria um time mais qualificado e preparado, tanto do ponto de vista humano quanto profissional.
Dê oportunidades de crescimento
Conceda possibilidades de crescimento aos seus colaboradores para que eles percebam novas perspectivas dentro da sua empresa. Atualmente, pessoas procuram formas de crescer nas empresas e quando isso não acontece, elas deixam esses postos de trabalho.
Segundo a GPTW, que avalia as melhores empresas para se trabalhar segundo os próprios funcionários, as oportunidades de crescimento constituem 46% do fator de permanência nas melhores empresas. Por isso, conceder oportunidades contribui não só para o salário emocional, como também para a retenção dos melhores talentos na empresa.
Ouça sempre que preciso
Por fim, mas não menos importante, crie formas de ouvir o que o seu time tem a dizer sobre o ambiente e as condições de trabalho. Ninguém é melhor do que o seu próprio time para dizer o que pode ser melhorado em processos, incentivos e ações na empresa.
Por isso, crie canais de comunicação que permitam que você escute seu time e que demonstrem que suas sugestões estão sendo ouvidas e consideradas.
Mas cuidado para não se enganar
Para concluir, lembre-se que as ações e iniciativas do salário emocional são processos que não estão ligadas a fatores financeiros. Nesse aspecto, é muito comum confundir benefícios comuns que a empresa já concede aos profissionais como salário emocional, o que nem sempre é o caso.
Portanto, sempre que for iniciar uma ação que tenha como o foco o salário emocional é sempre interessante que se façam antes algumas perguntas chaves. Por exemplo: De que modo essa iniciativa beneficia o meu colaborador? Essa ação irá contribuir de alguma forma para o bem estar físico ou emocional do meu time? Quais possíveis benefícios estou considerando e quais posso estar ignorando nesse caminho?
Sendo assim, lembre-se: suas ações devem ter sempre como foco as pessoas. São elas a fonte de qualquer resultado positivo na sua empresa, e valorizá-las é apenas o primeiro passo.



