Quiet Quitting: um novo alerta ou apenas mais um modismo?

Quiet Quitting

Você provavelmente ouviu falar sobre quiet quitting nas últimas semanas, certo? O assunto viralizou nas redes sociais e ocupou as principais notícias de veículos como The New York Times, BBC, The Washington Post, entre outros.

Mas afinal, esse é um alerta ou apenas mais um modismo?

O movimento vem promovendo diversas discussões entre colaboradores, lideranças e profissionais de gestão de pessoas. 

Se quiser entender o que é quiet quitting, como ele impacta as empresas e qual é o papel do RH nesse processo, continue a leitura conosco! 

O que é quiet quitting?

No movimento quiet quitting os colaboradores optaram por se resignar em suas funções, evitando o esgotamento emocional. Por este motivo, ficou conhecido como “demissão silenciosa” ou “desistência silenciosa”.

Ou seja, consiste em realizar apenas o necessário e o que está previsto no contrato de trabalho — nada mais, nada menos. 

Isso porque os profissionais acreditam que o esforço extra deve ser proporcional aos benefícios recebidos e à função exercida e os números mostram isso! 

Os números não mentem!

A estimativa, divulgada pela consultoria de recursos humanos Robert Half, mostra que 1 em cada 3 brasileiros sofre de esgotamento mental relacionado ao trabalho.

Segundo o International Stress Management Association (ISMA-BR), o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking de países com mais casos de burnout. Cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores são atingidos pelo burnout, de acordo com levantamentos realizados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).

O Zenklub, plataforma online com foco em saúde emocional, classificou os principais fatores que ameaçam o bem-estar corporativo. Nestes índices, quanto maior for a nota, pior é o bem-estar. Confira:

  1. Burnout com 58,75%;
  2. Volume de demandas e controle com 54,44%;
  3. Adição ao trabalho com 46,51%.

Todos esses estudos demonstram o quanto um ambiente de trabalho pode ser tóxico e contribuir negativamente para o desempenho e saúde dos profissionais.

Entretanto, a nova geração vem remando contra a maré! 

Um estudo global realizado pelo Workmonitor apontou que 56% dessa nova geração abandonaria um emprego se ele interferisse em sua vida pessoal.

E ainda que 92% dos profissionais brasileiros buscam empresas que ofereçam algum tipo de serviço ou programa voltado à saúde mental.

Quais as principais causas desse movimento?

Agora que já sabemos o que é demissão silenciosa ou quiet quitting, podemos ter visão sobre o porquê dessa corrente.

Diversos estudos apontam que a maioria das pessoas reavaliou o tempo dedicado às suas ocupações, bem como a priorização do bem-estar e o alinhamento de suas funções.

Outra pesquisa, realizada pela Microsoft, sobre tendências esperadas para o mundo corporativo, mostrou o que se tornou prioridade na busca por um emprego:

  • Cultura positiva (46%);
  • Benefícios relacionados a bem-estar (42%);
  • Senso de propósito e significado (40%);
  • Horário de trabalho flexível (38%);
  • Mais de duas semanas de férias remuneradas anualmente (36%).

Tudo isso indica que, quando existe uma possibilidade de escolha, as pessoas tendem a priorizar a qualidade de vida em vez de uma carreira.

Mas por que os colaboradores podem apresentar um comportamento de quite quitting?

Considerando todos os números e pesquisas apresentadas até o momento, selecionamos algumas condições que potencializam a ocorrência da desistência silenciosa. São elas:

  • Programas de avaliação tidos como injustos pelas equipes;
  • Lideranças arbitrárias;
  • Incompatibilidade entre valores pessoais e organizacionais;
  • Sobrecarga e estresse no trabalho;
  • Falta de perspectivas de carreira e de desenvolvimento profissional;
  • Ausência de reconhecimento sobre as entregas realizadas;
  • Funções desalinhadas ao contrato de trabalho.

Por isso, é importante não só detectar evidências sobre a manifestação desse tipo de movimento nas equipes. E como fazer isso? É o que vamos te mostrar a seguir! 

Como identificar sinais de quiet quitting?

Pode não parecer tão fácil, mas existem alguns comportamentos que podem ser inicio de uma demissão silenciosa. São eles: 

  • Redução da produtividade;
  • Interações limitadas;
  • Pouca comunicação;
  • Apatia;
  • Desinteresse.

Como evitar o quiet quitting na equipe?

Você deve estar se perguntando “é possível evitar que a demissão silenciosa chegue à minha equipe?” e a resposta é sim! Entretanto, você deve considerar a equipe que trabalha e seu dia-a-dia. 

Confira, então, algumas dicas para evitar o quiet quitting:

  • Identifique o que precisa ser mudado e o porquê: Um acompanhamento próximo também permite identificar se alguém está fazendo mais do que deveria;
  • Mantenha as expectativas alinhadas: é importante que esse alinhamento aconteça desde o início e o ideal é que ele seja feito com frequência. Por isso, incorpore reuniões individuais como rotina da gestão do time;
  • Se atente para pequenos pontos: as promoções acontecem de forma mais lenta, se há visibilidade e reconhecimento, se os salários são competitivos, como está a política de benefícios;
  • Respeite e incentive os limites entre trabalho e vida pessoal: o quiet quitting surge do esgotamento. Assim, as lideranças precisam estabelecer os limites e também as consequências de quem desrespeitá-los;
  • Realize pesquisas contínuas: elas são uma ferramenta com grande potencial para traçar diagnósticos acerca do sentimento das equipes. 

E o que motiva as pessoas a darem o melhor de si?

O fato é: é normal que as empresas esperem o melhor das pessoas, que esperem um compromisso com as entregas e que, invariavelmente, esperem a superação.

Responder a essa pergunta é algo complexo quando falamos de pessoas diferentes. Afinal, cada pessoa possui uma perspectiva muito particular sobre a sua felicidade, pessoal e profissional, assim como ambições diferentes.

O levantamento da HBR citado anteriormente, contudo, nos diz que a liderança pode ter um papel fundamental para isso.

“Nossos dados indicam que a demissão silenciosa geralmente tem menos a ver com a disposição de um funcionário de trabalhar mais e com mais criatividade, e mais sobre a capacidade de um gerente de construir um relacionamento com seus funcionários em que não esteja contando os minutos até a hora de sair.”

É o conjunto do que a empresa pode oferecer que motiva as pessoas a darem o melhor de si. É o salário, é a cultura, é o respeito aos limites, são as oportunidades. E o que será que, de fato, a sua empresa tem oferecido às pessoas?

Agora que você já sabe o que é quiet quitting, como identificar, principais causas e como sua empresa pode agir, continue acompanhando o Blog da Plantar Educação para mais conteúdos como esse! 

Por:
Pai, filho, educador e apaixonado por inovação! Graduado em Gestão de Tecnologia da Informação com MBA em Liderança e Gestão Empresarial. Já são mais de 20 anos com atuação em empresas ligadas ao Agronegócio nas áreas de gestão, consultoria e educação corporativa.
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