Pirâmide de aprendizagem: você sabe o que é e qual a sua proposta?

Josivan Mesquita da Conceição
Pirâmide de Aprendizagem

Aprender é um processo que depende de fatores internos e externos para ser efetivo, ainda mais na atualidade onde a quantidade de informações é gigantesca. Sabemos que o processo de aprendizagem é algo que pode ser encarado de pontos de vista individuais e coletivos, dos colaboradores à organização.

Conhecer essa dinâmica é essencial para a educação corporativa e o conhecimento necessita do tratamento e abordagem corretos para que haja um aprendizado real. E é em meio a este contexto que vemos propostas como a da pirâmide de aprendizagem.

A pirâmide de aprendizagem é um conceito relativamente recente e que busca compreender a qualidade de aprendizado. Ela também busca hierarquizar as formas de retenção de um determinado conhecimento através de sua eficácia.

Mas o que é a pirâmide de aprendizagem? Como ela pode te ajudar a aprender melhor? Acompanhe conosco estas questões e como a pirâmide de aprendizagem se relaciona com a educação corporativa.

O que é pirâmide de aprendizagem?

Antes de entender a pirâmide de aprendizagem é preciso conhecer o responsável pela criação e popularização do modelo. O conceito de pirâmide de aprendizagem foi criado pelo psiquiatra estadunidense William Glasser, também responsável pela criação da chamada Teoria da Escolha.

Glasser entendeu que as melhores formas de aprendizado acontecem de dentro para fora, algo que parte da motivação dos indivíduos. Portanto, isso faz com que o aprendizado seja um movimento que parte do individual para o coletivo e não o contrário. Esta visão também foi considerada na criação do conceito da pirâmide de aprendizagem.

Em sua teoria, Glasser analisou uma ferramentas e métodos que utilizamos para estudar e aprender como livros, palestras, observação e discussões em grupo. Por isso, Glasser classificou cada um desses métodos e ferramentas por meio de suas respectivas eficácias e capacidade de assimilação de conteúdo. 

Ao fazer essa classificação, Glasser criou uma proposta que visa otimizar o aprendizado de alunos de diferentes plataformas e definiu as formas como aprendemos.

Segundo Glasser, nós aprendemos 10% daquilo que apenas lemos, 20% se apenas escutarmos, 30% ao observarmos e 50% se observamos e escutamos simultaneamente. Na base da pirâmide, 70% quando discutimos o assunto com outras pessoas, 80% quando colocamos em prática. Por fim, aprendemos 95% de um conteúdo quando ensinamos aquele determinado conhecimento a outras pessoas.

Pirâmide de Aprendizagem na prática

Pirâmide de Aprendizagem de Glasser.
Fonte: Escola da Prevenção

A pirâmide de aprendizagem também é dividida entre duas categorias principais: métodos de aprendizagem passiva e métodos de aprendizagem ativa. Glasser dá um foco especial para os métodos de aprendizagem ativa, já que para ele são as formas com maior capacidade de assimilação e aprendizado.

Portanto, para Glasser, o método mais eficaz de aprendizagem seria aquele em que você tenta ensinar aos outros o conteúdo a que você foi exposto. Por exemplo, um carpinteiro saberá mais sobre carpintaria quando ensiná-la a outra pessoa, pois assim estará exercitando a técnica de seu trabalho.

Sabendo disso, vemos que a ideia de Glasser é colocar o aluno como centro de sua própria aprendizagem, e com isso possível gerar mais conhecimento.

Pirâmide de aprendizagem no ambiente corporativo

Quando se trata do processo de aprendizagem dentro das organizações, o processo de aprendizagem ganha um teor de complexidade maior, já que estamos lidando com equipes inteiras de indivíduos diferentes entre si. Talvez a grande questão para gestores de RH, designers instrucionais e outros profissionais que lidam com o processo de aprendizagem nas organizações seja: o quão aplicável é a pirâmide de aprendizagem nos ambientes corporativos?

Vimos no exemplo do carpinteiro que a aprendizagem passiva e ativa pode ser aplicada aos modelos de trabalho nas empresas. Isso também permite que as ideias desse modelo também sejam aplicáveis aos colaboradores da sua empresa. No ambiente da educação corporativa, o nível de aprendizado indica a eficácia ou a ineficácia dos métodos utilizados para com os colaboradores e é exatamente este o principal elemento em destaque na pirâmide de aprendizagem.

Levando isso em conta, ao organizar as maneiras como o conteúdo será repassado aos colaboradores pode ser também uma maneira de levar em consideração as diretrizes propostas por Glasser em sua pirâmide de aprendizagem. Como estes colaboradores poderão aprender e assimilar melhor estes conteúdos? Um ambiente virtual é melhor? Aulas em vídeo ou conteúdos escritos vão contribuir de que forma? Qual a combinação de métodos mais efetiva? Por isso, todos os profissionais engajados na aprendizagem dentro da organização devem fazer estas perguntas.

Você pode aplicar os modelos da pirâmide de aprendizagem em qualquer projeto de aprendizagem e quanto mais próximo dos métodos ativos de aprendizagem, mais autonomia você dá ao colaborador em seu processo de aprendizado e mais positivos podem ser os resultados.

Pirâmide de aprendizagem: o que é útil à educação corporativa?

Mas afinal de contas, quais conceitos a pirâmide de aprendizagem pode trazer à tona e que seja útil ao cenário da educação corporativa? Em conclusão, o papel central do aluno no processo de aprendizagem da pirâmide, é possível ver uma série de benefícios que poder ser comuns à educação corporativa:

Incentivo à autonomia

Ao estimular as formas de aprendizagem ativas e uma interação dos alunos com os conteúdos alvo do aprendizado, a pirâmide de aprendizagem estimula também a ideia de autonomia. Quando o aluno ou colaborador começa a construir hipóteses, discutir e colocar em prática aquele conjunto de informações a que teve acesso ao mesmo tempo ajuda a fixar aquele mesmo conteúdo em questão. Portanto, ao se tornar o centro do próprio aprendizado, o aluno aprende mais, aumentando assim os resultados dos diversos objetivos dos projetos de educação corporativa.

Maior compartilhamento de informações

Dentro da pirâmide podemos ver que uma das formas mais eficazes de aprendizado consiste na discussão dos conteúdos de estudo com outras pessoas. No ambiente corporativo, essa ideia é extremamente positiva, já que o compartilhamento e discussão de informações pode levar a uma melhor resolução de problemas, bem como modificar a cultura da empresa para a criação de ambiente com maior transparência.

Maior integração no ambiente de trabalho

Se tratando exclusivamente dos métodos de aprendizagem ativos, também é possível ver que as formas de aprendizagem baseadas nas discussões, prática e ensino dos conteúdos proposta pela pirâmide pode ajudar a construir um ambiente de maior integração entre os colaboradores. Por isso, ao discutirem um determinado conteúdo e tentarem ensinar uns aos outros sobre uma prática específica pode criar um cenário cada vez mais propício a integração e a colaboração, ambos aspectos muito assertivos para o ambiente corporativo.

Criação de um ambiente propício ao aprendizado

Concluindo, vemos que o modelo de aprendizagem proposto pela pirâmide de aprendizagem de Glasser demonstra uma oportunidade para a criação de ambientes propícios ao aprendizado. A adaptação de métodos com foco na eficácia do aprendizado é essencial para todos as organizações que desejam ter equipes cada vez mais capacitadas

Podemos concluir então que a pirâmide de aprendizagem é um modelo válido não só para aqueles que buscam aprender. No fim, ela também serve para aqueles dispostos a compartilhar conhecimento, gerando aprendizado para si e para os outros ao seu redor.

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