Curva do Esquecimento: como ela afeta seus treinamentos? 

Curva do Esquecimento

Atualmente nas empresas, tão importante quanto o planejamento e execução de um treinamento é o processo pós-treinamento e seus efeitos com o passar do tempo. Um dos exemplos dessa importância é a curva do esquecimento, que afeta a aprendizagem do seu time de colaboradores a médio e longo prazo. 

Afinal, em que nível os colaboradores que fizeram parte do treinamento conseguiram reter o conhecimento que foi adquirido? O conceito da curva do esquecimento pode ajudar a entender esses e outros fatores que afetam a aprendizagem do seu time. 

Por isso, o artigo a seguir vai explicar o que é curva do esquecimento e dar alguns exemplos de como ela afeta a educação corporativa. 

Bateu a curiosidade? Então siga a leitura abaixo e saiba mais! 

A curva do esquecimento de Ebbinghaus 

Quando o assunto é aprendizagem, algumas pessoas se perguntam porque muitas vezes elas acabam esquecendo com facilidade um conteúdo que aprenderam anteriormente. Mesmo que elas tenham estudado exaustivamente um assunto, depois de um certo período elas esquecem uma boa parte do que foi estudado. Mas por que isso acontece? 

A fim de encontrar uma resposta para essa pergunta, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus começou a fazer alguns experimentos em torno da inteligência e memorização humana. Como resultado surgiu a curva do esquecimento, uma teoria que entende de forma prática a relação entre aprendizagem e memorização. 

Em resumo, a curva do esquecimento é um gráfico que demonstra a retenção de um determinado conhecimento através da passagem do tempo. Sendo assim, quanto mais tempo se passa após o contato com o conteúdo, maior é a taxa de esquecimento, gerando uma curva nesse gráfico. 

O experimento aconteceu da seguinte forma: entre 1880 e 1885, Ebbinghaus memorizou palavras que consistiam em duas consoantes separadas por uma vogal. Em seguida, ele verificou e sistematizou o quanto ele reteve dessa experiência de memorização, gerando o seguinte gráfico: 

Conforme vemos no gráfico, a curva do esquecimento vai aumentando de acordo com o passar do tempo após o aprendizado. Por fim, após o período de 30 dias, um conteúdo que no momento do contato tinha 100% de retenção pode chegar a meros 21%. 

Recentemente, novos estudos em torno do tema foram aprimorando a ideia apresentada por Ebbinghaus, mas a base de sua teoria segue sólida até os dias de hoje. O resultado de seus estudos deu origem ao livro “Memory: A Contribution to Experimental Psychology”, que segue sendo amplamente utilizado por estudiosos. 

Como superar a curva do esquecimento 

Primeiramente, é preciso lembrar que o esquecimento é um processo usual do cérebro e que nem tudo que estudamos pode ser armazenado. Junte isso a quantidade de estímulos que recebemos todos os dias e fica impossível reter 100% das informações que nos são apresentadas. 

Dito isso, o estudo da curva do esquecimento de Ebbinghaus trouxe não só a exposição do problema, mas também evidenciou uma solução possível. A solução para superar a curva do esquecimento está em uma revisão da aprendizagem feita de forma espaçada. 

Apesar de parecer tão simples quanto simplesmente revisar o que foi estudado, a revisão espaçada considera o próprio gráfico da curva do esquecimento para planejar as revisões. Desse modo, as repetições de estudo acontecem no momento em que curva do esquecimento começa a se acentuar. 

Como resultado, a retenção do conhecimento é muito mais duradoura e quanto mais você revisa ao longo do tempo, melhor a retenção a longo prazo. O método do Spaced Repetition System (SPS) é feito da seguinte forma: 

  • 1º Repetição: deve ser feita em até 18 minutos após o estudo/aula; 
  • 2º Repetição: feita 24 horas após o primeiro estudo/aula; 
  • 3º Repetição: feita depois de 7 dias do estudo/aula; 
  • 4º Repetição: feita após 31 dias do estudo/aula; 
  • 5º Repetição: feita após 3 meses do primeiro estudo/aula. 

Pra entender um pouco melhor, veja a figura a seguir: 

Esquema de revisões espaçadas e retenção de Ebbinghaus.
Fonte: Gran Cursos Online

Por meio de revisões feitas no momento em que começa a acontecer o esquecimento, é possível evitá-lo e aumentar a retenção. Dessa forma, é possível evitar que a curva do esquecimento faça com que você perca uma grande parte do aproveitamento do conteúdo estudado. 

Curva do esquecimento e os treinamentos corporativos 

Agora que vimos como a curva do esquecimento funciona na prática, vamos trazer esse conceito para uma realidade mais próxima: os treinamentos corporativos. Atualmente, a retenção e a aplicabilidade dos conhecimentos obtidos em treinamento pelos colaboradores no ambiente de trabalho ainda é um desafio para as empresas modernas. 

Segundo um levantamento feito pela 24X7 Learning, apenas 12% dos colaboradores nas empresas aplicam os novos conhecimentos obtidos em treinamento no ambiente de trabalho. Por outro lado, os investimentos em educação corporativa cresceram e tendem a aumentar nos próximos anos como indica estudo da Ahgora. 

Sendo assim, existe uma diferença entre os esforços das empresas ao investir em treinamentos e o que é de fato aplicado pelos colaboradores no trabalho. Então, o que está dando errado nessa equação e por que essa conta não bate? Talvez a resposta esteja em como as empresas trabalham diante da curva do esquecimento. 

Os programas de treinamento nas organizações precisam considerar a curva do esquecimento como um fator crítico da aprendizagem. Mas como fazer isso na prática? Basicamente, é necessário que as empresas garantam a aplicabilidade dos novos conhecimentos. 

Uma das formas de fazer isso é adotando métodos de avaliação de treinamento que permitam verificar esse uso de conhecimento no ambiente de trabalho. Por exemplo, o Modelo de Kirkpatrick é um método que verifica o comportamento resultante dos treinamentos, o que inclui a aplicabilidade do que foi aprendido no trabalho. 

Por fim, lembre-se que a efetividade dos treinamentos na sua empresa também depende de fatores como infraestrutura, cultura e outros elementos. Assim, você consegue potencializar seus treinamentos e ter um time que não só retém conhecimentos, mas que também aplica esses conhecimentos e promove mudanças positivas na organização. 

A Plantar é sua parceira na educação corporativa 

A educação corporativa é o foco das empresas que desejam se manter competitivas e crescer nos próximos anos. Além disso, as novas dinâmicas do mercado exigem que esse investimento seja feito de forma inteligente e estratégica. 

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Gostou desse artigo? Veja também o nosso post sobre Pirâmide de Aprendizagem. 

Até a próxima! 

Por:
Graduado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Goiás, busca alcançar novos horizontes e desafios no campo da gestão do agronegócio. Aproximar as áreas de gestão dos processos humanizados e eficazes é um de seus principais objetivos, sempre levando em conta a qualidade e a credibilidade na produção de conteúdos úteis e concisos.
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